O sono estava agitado, sombras habitavam minha mente e deturpavam os sonhos com pesadelos que me horrorizavam e tentavam me possuir, até que numa tentativa súbita de me levar, despertei entre suor , lágrimas e pânico o coração batia acelerado procurando se acalmar. Sentei na cama, a lingerie de seda que usava, colara em meu corpo suado de tanto transpirar, mas o chão frio tocando meus pés descalços me fez arrepiar, e andei ainda cambaleando e parei diante da janela, que estava aberta, de meu quarto e pude sentir o vento frio cortar minha carne como uma navalha afiada.
Eram 16 andares a me sustentar. Observava as luzes da cidade ao longe ouvia o som de uma música se misturando com conversas e risos, e eu ali, tudo a observar, e nem imaginavam aquelas pessoas que estava sozinha a chorar. A vida era um fio frágil entre a morte, que apenas um leve impulsionar iria ele abraçar. Um olhar lancei a tudo que me rodeava e em pé no parapeito da janela me lancei em queda livre, me vi liberta, livre eu estava, que até podia voar, nada sentia somente o vázio, a vida passava por minha mente como cada andar que passava, até chegar no derradeiro porém livre final.
Márcia Salete
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
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Um comentário:
Márcia gostei desse texto muito interessante e triste tb...Beijos!
Fer!
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