sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A NOITE

O dia me sufoca!
Sinto sua falta.
A noite demora a chegar
Onde estão a Lua e as Estrelas?
Pois são elas que me trazem você
E é com o piar da coruja que desperto
E com o nascer da Lua que te encontro
Até que o manto da noite nos embale.
E quando chega a aurora...
.Ah aurora! Linda e cruel
Pois é ela que vem nos avisar,
Que mais um dia está para chegar
E o nosso amor ele vai separar
Mas enquanto isto vamos esta noite
Loucamente nos amar, para não vermos
O dia raiar...E depois dormir e a noite acordar!

Márcia Salete.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O que há por trás das Máscaras


Noite de chuva, frio, solidão, estou eu aqui ouvindo uma música qualquer, a garrafa de vodka e o cigarro já dão sinais que estão para acabar, e eu meio tonta me deparo com o imenso espelho que tenho no quarto, mas que raramente paro para olhá-lo de frente, derrepente vendo meu reflexo nele, me aproximo e me olho profundamente... Meu Deus...O que vejo? Ou melhor, o que não vejo? Aquela serei mesmo eu. Um dia antes uma mulher firme, segura dona de seus atos e agora aquela pessoa triste sozinha deprimida...Toca o telefone: - “Alô... oi sou eu mesma tudo bem... estou sim, não hoje não quero, vou ficar em casa, vou ler um livro, ou ver um filme, não quero sair... então ta... tchau... beijos!” – me assusto novamente, pois novamente não era o que queria falar para uma amiga ao telefone, porque não disse que estava triste e quase embriagada não só pela vodka, mas também pela solidão? Porque temos sempre que fingir ser o que não somos, para agradar a quem? Por isto resolvi tirar as máscaras saber o que há realmente por trás delas. Primeiro vou tirar a de super mulher, não sou tão forte assim, sempre fico insegura para tomar decisões e atitudes, mas não posso demonstrar, então uso a máscara e vou enfrente, agora a máscara da mulher liberal e que não está nem aí... Como pode ser, sofro por amor, choro, me desespero, quero sim alguém ao meu lado não sou feliz sozinha, mas novamente uso a máscara e escondo meus sentimentos, e vou enfrente, eis a mascara da boa filha, essa é cruel, tento fingir a todo instante, não posso mostrar minha fragilidade, tenho sempre que dar motivos para se orgulharem de mim, “ pois me criaram com tantas dificuldade, tanto carinho” – como eles mesmo dizem, então não posso decepcioná-los, tenho medo de perder o amor, mas será certo, pois eles amam a máscara que uso, não sabem realmente quem sou , será que iriam me amar como sou? Ah... Mas enfim por vias das dúvidas me escondo novamente atrás daquela máscara e sigo em frente, agora a máscara que uso praticamente o tempo todo, aquela que sorri sem ter vontade, que demonstra compreensão mesmo não aceitando os termos, aquela que diz sim mesmo querendo gritar NÃO...Chega não quero mais, tenho medo do que vou encontrar, e se vou encontrar...Talvez seja mais uma máscara ainda para moldar ou talvez não exista nada por lá. Mas quem sabe não é só mais uma máscara de alguém que o álcool já passou a dominar?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

QUEDA LIVRE...

O sono estava agitado, sombras habitavam minha mente e deturpavam os sonhos com pesadelos que me horrorizavam e tentavam me possuir, até que numa tentativa súbita de me levar, despertei entre suor , lágrimas e pânico o coração batia acelerado procurando se acalmar. Sentei na cama, a lingerie de seda que usava, colara em meu corpo suado de tanto transpirar, mas o chão frio tocando meus pés descalços me fez arrepiar, e andei ainda cambaleando e parei diante da janela, que estava aberta, de meu quarto e pude sentir o vento frio cortar minha carne como uma navalha afiada.
Eram 16 andares a me sustentar. Observava as luzes da cidade ao longe ouvia o som de uma música se misturando com conversas e risos, e eu ali, tudo a observar, e nem imaginavam aquelas pessoas que estava sozinha a chorar. A vida era um fio frágil entre a morte, que apenas um leve impulsionar iria ele abraçar. Um olhar lancei a tudo que me rodeava e em pé no parapeito da janela me lancei em queda livre, me vi liberta, livre eu estava, que até podia voar, nada sentia somente o vázio, a vida passava por minha mente como cada andar que passava, até chegar no derradeiro porém livre final.

Márcia Salete